Restando pouco mais de 12 meses para as convenções partidárias, o que ainda sobrou do clã Sarney no Maranhão não sabe quem apoiar para o governo estadual em 2018 e tenta forçar a entrada da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) no embate direto contra o governador Flávio Dino (PCdoB), mesmo tendo conhecimento do medo da peemedebista de enfrentar novamente as urnas e, principalmente, o comunista num debate eleitoral.

Em 2006, quando ficou cara a cara com Jackson Lago, pelo segundo turno, a peemedebista mordia os lábios e se tremia constante e visivelmente, além de se atrapalhar a todo momento com o calhamaço que levou para a tribuna. Num dos momentos de nervosismo, inclusive, Roseana chegou a derrubar todos os documentos no chão, sendo alvo de piada de seu adversário, que estava com a palavra e abdicou de seu tempo para que ela pudesse recolher os papeis.

Para não se expor novamente ao vexame, ela está decidida a não entrar na disputa. Mas até encontrar outro nome, os caciques do clã pretendem continuar a insistir com a falsa pré-candidatura da ex-governadora.

Senado

A falta de alguém forte no seio oligárquico, porém, não se resume apenas à disputa pelo Palácio dos Leões. Até agora, o grupo, que na última eleição em que disputou o Senado Federal chegou ao ponto de brincar com o eleitor em quem ele deveria votar primeiro, segue apenas com um único nome para senador, e que mesmo sendo um sarneysista-raiz, ainda não teve e nem terá musculatura suficiente para, até o final da corrida, reunir pelo menos cinco grandes lideranças estaduais num palanque.

No recente levantamento feito pelo Instituto Escutec, por exemplo, apesar da consulta apontar que a maioria dos entrevistados tomou conhecimento da citação eacredita num possível envolvimento de Dino na Lava Jato, e de que tanto Roseana quanto o ministro Sarney Filho (PV) aparecem na frente, em todos os cenários, respectivamente, para o governo e o Senado, o clã teve receio de divulgar o resultado por avaliar que a diferença apontada na pesquisa aponta mais para o risco de uma eventual derrota da chapa majoritária do para a vitória dos candidatos do grupo.

Segundo fontes próximas à família Sarney, a expectativa era de que Roseana pudesse aparecer — sabe-se lá como — com pelo menos 20% à frente de Flávio Dino. Contudo, quando recebeu da Escutec o resultado e viu que a maior diferença não chegou a sequer 8%, a ordem direta foi para que a pesquisa não fosse divulgada — o que acabou não acontecendo, pois houve vazamentos em resposta a um pesquisa palaciana.

Ainda de acordo com fontes, em relação a Zequinha, o clã analisa que, embora ele tenha liderado com folga no levantamento para o Senado, caso não se encontre um nome forte para encabeçar a chapa na disputa pelo governo, o caçula do ex-senador José Sarney (PMDB-AP) poderá nadar em qualquer modalidade político-eleitoral, mas acabará morrendo na praia.

João Alberto

Há algumas semanas, o grupo Sarney chegou a ventilar a possibilidade do senador João Alberto Souza (PMDB-MA) entrar na disputa contra Flávio Dino, usando o forte discurso que lhe rendeu o apelido de Carcará, de como deveria ser tratada a segurança pública e bandidagem. Mas como a própria pesquisa Escutec mostrou, na espontânea, que a população quase não lembra de João Alberto para o governo e para uma possível reeleição ao Senado, essa ideia foi sumariamente descartada.

Fonte Atual 7